Não somos negacionistas

Não somos negacionistas

Há um novo termo sendo usado para descrever aqueles que não acreditam que a Terra é uma esfera, que as vacinas são um meio eficiente de evitar doenças, que existe um aquecimento global, entre outras coisas: negacionismo. Por exemplo, alguém pode negar que a Terra é redonda, mas acreditar que há um efeito estufa no planeta. Ou seja, existem vários tipos de negacionismos.

Um tipo muito criticado é o negacionismo com relação ao Holocausto da Segunda Guerra Mundial. Em alguns países, é crime negar a historicidade daquele assassinato em massa de judeus. Talvez um dos negacionismos mais comuns é o que diz que o homem nunca foi à Lua. Há, então, negacionismos históricos e científicos.

O terraplanismo é o que mais tem crescido e chamado a atenção ultimamente. Os terraplanistas acreditam que a Terra é como uma grande pizza, coberta por um domo e que aqueles que dizem que você pode dar a volta no planeta e chegar no mesmo lugar estão mentindo. Eles voltaram a acreditar que a Terra é o centro do Universo e que é o Sol que gira em torno do nosso planeta.

O maior número de negacionistas está no meio dos cristãos evangélicos, infelizmente. Existem associações, clubes de discussão e congressos de terraplanistas. Geralmente as pessoas que têm esse tipo de pregação acreditam em algum tipo de conspiração satânica mundial para que a “verdade” seja oculta do mundo.

Vamos colocar uma coisa bem clara aqui: nós não somos negacionistas! Não podemos viver negando aquilo que é mundialmente e cientificamente comprovado. Acreditar em fatos científicos não é desacreditar em Deus.

É claro que existem teorias sobre as quais até mesmo os cientistas não são unânimes. Por exemplo, acerca do aquecimento global, alguns os cientistas afirmam que ele não é produto da ação humana, mas de um ciclo normal da existência do planeta. Não negam o aquecimento, mas divergem sobre as causas. Por mim, até aí, tudo bem.

Uma coisa completamente diferente é acreditar que a Terra é plana, que vacinas são um meio de controle global dos governos, que não existe a força da gravidade, entre outras coisas. É curioso verificar que numa época de tantos avanços tecnológicos haja esse ressurgimento de obscurantismos que se espalham como pragas.

Mas é exatamente por causa da tecnologia da informação que isso acontece, pois é só alguém criar um boato, uma teoria da conspiração, fazer um vídeo e pronto, milhões de pessoas irão ver.

Hoje existem aos montes os “pregadores do apocalipse” – e não estou falando que não se deva pregar sobre o Apocalipse, o último livro da Bíblia. Esses pregadores ganham seguidores ao criar uma teoria com contornos de revelação divina, alertando sobre coisas ocultas e sabem que isso atrai a curiosidade de milhões de pessoas.

Estou dizendo que não existam conspirações no mundo? É claro que elas existem! Mas não podemos viver negando o óbvio, demonizando o conhecimento científico e propagando teorias da conspiração que em nada edificam, antes criam medo e insegurança.

Eu acho, na verdade, que esse tipo de pregação é uma descrença na soberania de Deus. As ciências apontam para a engenhosidade do Criador. É perfeitamente possível crer em Deus e aceitar o conhecimento científico.